O terminal de contêineres da APM Terminals no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, iniciou as operações comerciais em 2 de setembro de 2026. A primeira escala foi realizada pelo navio Maersk Ganges, durante o serviço de cabotagem ALCT2, que conecta diferentes portos brasileiros e passa a incluir Suape em sua rota regular.
Apresentada pela empresa como o primeiro terminal de contêineres totalmente eletrificado da América Latina, a nova instalação amplia a infraestrutura disponível para o transporte marítimo de cargas no Nordeste. A entrada em funcionamento ocorre poucos meses depois da entrega oficial do empreendimento, realizada em junho de 2026.
Suape passa a integrar uma rota nacional de cabotagem
O serviço ALCT2 conecta os portos de Pecém, no Ceará; Salvador, na Bahia; Santos, em São Paulo; Itapoá e Imbituba, em Santa Catarina; e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Com a inclusão de Suape, a rota passa a oferecer uma ligação marítima adicional entre o Nordeste, o Sudeste e o Sul do país.
De acordo com a APM Terminals, o novo terminal terá duas escalas semanais do serviço ALCT2. A frequência aumenta as alternativas para empresas que movimentam cargas entre regiões brasileiras e pode contribuir para uma distribuição mais integrada entre os modais marítimo, rodoviário e demais etapas da cadeia logística.
A cabotagem é o transporte de cargas entre portos do mesmo país. No caso de Suape, a conexão com terminais localizados em áreas estratégicas do território nacional cria uma opção para fluxos que dependem de deslocamentos terrestres de longa distância. A operação, contudo, passa a fazer parte de uma rede logística mais ampla, na qual a escolha do modal depende de fatores como origem, destino, prazo, tipo de carga e estrutura de distribuição.
Investimento amplia capacidade de movimentação
O empreendimento recebeu investimentos superiores a R$ 2 bilhões, segundo informações divulgadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos. A capacidade inicial prevista é de até 400 mil TEUs por ano. A sigla representa a unidade equivalente a um contêiner de 20 pés e é utilizada para medir a movimentação de contêineres nos terminais.
Com essa capacidade, a estrutura deve elevar em aproximadamente 55% a movimentação de contêineres do Complexo Industrial Portuário de Suape. O efeito esperado é o reforço da posição do complexo como ponto de entrada, saída e redistribuição de cargas para Pernambuco e outros estados do Nordeste.
A localização de Suape é relevante para a logística regional porque o complexo está inserido em uma área industrial e portuária conectada a diferentes mercados consumidores e produtores. A expansão da oferta de serviços marítimos pode favorecer a organização de cadeias de abastecimento que atendem tanto empresas instaladas em Pernambuco quanto operações com origem ou destino em outros estados.
Eletrificação e automação fazem parte do projeto
Além da expansão física da capacidade, o terminal foi projetado para operar com equipamentos eletrificados. Entre os recursos descritos pela APM Terminals estão guindastes de cais e equipamentos utilizados no pátio movidos a eletricidade, além de sistemas de operação remota. A proposta combina modernização da infraestrutura portuária com uma operação voltada à eficiência energética.
Em material sobre a entrega do empreendimento, a APM Terminals detalhou características técnicas do terminal, incluindo os equipamentos eletrificados, a estrutura de armazenagem e as condições previstas para a movimentação de contêineres. A automação e o controle remoto integram a estratégia operacional apresentada para a unidade.
A eletrificação, por si só, não elimina todos os impactos associados ao transporte de cargas, mas altera a forma como parte das operações é realizada dentro do terminal. O uso de equipamentos elétricos pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis nas atividades portuárias, enquanto a automação tende a apoiar o controle de fluxos, a segurança operacional e a previsibilidade das tarefas.
O início da operação comercial representa, portanto, a passagem de uma obra concluída para um ativo integrado à rede brasileira de transporte marítimo. Para Suape, o desafio passa a ser consolidar a regularidade das escalas, atrair cargas e conectar o terminal de forma eficiente aos demais elos logísticos. Para o mercado, a nova estrutura acrescenta capacidade e uma alternativa de cabotagem em um dos principais complexos portuários do Nordeste.
