A 4ª Semana Brasileira de Educação Midiática começa nesta quarta-feira, 4 de novembro, com uma programação voltada à cidadania digital, à integridade da informação e ao uso responsável das tecnologias. Organizado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o evento será realizado até 10 de novembro, reunindo instituições públicas, universidades, redes de ensino, organizações da sociedade civil, pesquisadores, educadores e estudantes.
Com o tema “Educação Midiática: integridade da informação para a formação cidadã”, a iniciativa pretende discutir como as pessoas interpretam, produzem e compartilham conteúdos em um ambiente marcado pela circulação acelerada de mensagens, pelo avanço da inteligência artificial e pela presença constante das redes sociais. A programação terá ações presenciais em Brasília e no Rio de Janeiro, além de atividades on-line e iniciativas organizadas em diferentes territórios brasileiros.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social, a educação midiática ajuda a desenvolver capacidades críticas, éticas e cidadãs para compreender, analisar, produzir e fazer circular informações. Na prática, isso envolve reconhecer conteúdos enganosos, avaliar fontes, identificar possíveis manipulações e entender como as tecnologias influenciam as conversas públicas e as decisões cotidianas.
Programação começa em Brasília
A abertura oficial será realizada em 4 de novembro, das 9h às 18h, no Auditório do Ministério das Comunicações, em Brasília. O encontro terá transmissão ao vivo pelo canal do Ministério da Educação no YouTube e contará com uma mesa institucional, além do painel “Educação Midiática: ECA Digital e a proteção de crianças e adolescentes”.
Também estão previstos debates sobre experiências de educação midiática, formação de professores, direitos de meninas e mulheres no ambiente digital e proteção de crianças e adolescentes. A programação inclui ainda a apresentação de materiais voltados a públicos distintos, como pessoas idosas, estudantes do ensino superior, criadores de conteúdo e crianças e adolescentes.
Entre os materiais anunciados estão o Guia Orientativo para o Desenvolvimento de Competências Digitais e Midiáticas da Pessoa Idosa do Brasil, elaborado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania; o Guia de Diretrizes Curriculares da Educação Midiática para o Ensino Superior, da organização Palavra Aberta; e um Código de Ética para Criadores de Conteúdo, desenvolvido pela Redes Cordiais. A Anatel também apresentará materiais educativos de cibersegurança da campanha Boas Conexões.
Universidades e formação de educadores
Na quinta-feira, 5 de novembro, a Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília receberá atividades sobre o papel das universidades na promoção da integridade da informação e na formação cidadã. A agenda inclui a palestra “Educação Midiática: construindo integridade da informação para o fortalecimento da democracia” e o 2º Encontro Brasileiro da Rede PET Integridade da Informação.
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social, o encontro reunirá projetos de dez instituições de ensino superior das cinco regiões do país. As experiências apresentadas devem abordar temas como educação, jornalismo, saúde, clima e enfrentamento à desinformação.
Na sexta-feira, 6 de novembro, a Unidade-Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação, ligada à Secretaria de Educação do Distrito Federal, sediará uma formação sobre desinformação promovida pelo CLEMI, centro francês especializado em educação midiática e informação. A atividade tratará de leitura crítica, checagem de informações e produção responsável de conteúdos.
Mobilização alcança diferentes regiões
A semana não ficará restrita aos eventos oficiais realizados nas capitais. A organização abriu espaço para que escolas, universidades, bibliotecas, secretarias de educação, coletivos, centros de pesquisa e organizações sociais inscrevessem atividades no Mapa de Iniciativas da Educação Midiática.
Segundo a página oficial do evento, o mapa reúne 523 iniciativas de educação midiática desenvolvidas em diferentes territórios do país. A expectativa divulgada pela Secretaria de Comunicação Social é de que cerca de 200 atividades sejam realizadas ao longo da semana, incluindo oficinas, rodas de conversa, debates, vivências formativas e transmissões on-line.
As inscrições de propostas ocorreram entre 10 de setembro e 20 de outubro. Em setembro, a Agência Gov informou que escolas públicas e privadas, universidades, organizações não governamentais, coletivos e instituições ligadas à comunicação e à cidadania digital poderiam cadastrar ações para integrar a programação nacional.
Por que a educação midiática importa
A educação midiática não se limita à checagem de notícias. Ela também envolve compreender a linguagem dos meios de comunicação, observar os interesses presentes em cada mensagem, reconhecer estratégias de persuasão e participar do ambiente digital com responsabilidade. Essas habilidades são úteis na escola, no trabalho, nas relações pessoais e no exercício da cidadania.
A UNESCO destaca que, diante do avanço da inteligência artificial, estudantes e educadores precisam desenvolver autonomia e pensamento crítico para avaliar conteúdos produzidos ou modificados por sistemas automatizados. O desafio inclui compreender os limites dessas ferramentas, questionar informações aparentemente confiáveis e evitar o compartilhamento impulsivo de materiais sem origem clara.
O encerramento da 4ª Semana Brasileira de Educação Midiática ocorrerá em 10 de novembro, no Rio de Janeiro, com a mesa “Educação Midiática: histórias, memórias e perspectivas”. A programação também prevê o lançamento das Diretrizes de Educação Midiática da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e do Ginásio Educacional Tecnológico Audiovisual, no Jardim Botânico.
