O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) discutiu o uso da inteligência artificial como apoio à comunicação institucional durante a 15ª edição do evento Pró-Integridade Convida. Realizado na segunda quinzena de setembro de 2026, o encontro tratou de integridade e boas práticas no uso da tecnologia. A divulgação oficial foi publicada em 26 de outubro e atualizada em 28 de outubro.
Entre os exemplos apresentados está a aplicação da inteligência artificial para resumir conteúdos públicos, organizar ideias, estruturar materiais educacionais e preparar minutas de e-mails e comunicados. As ferramentas também podem auxiliar na simplificação de termos jurídicos, uma dificuldade frequente para quem precisa entender orientações, regras e serviços oferecidos pelo governo.
O debate coloca a linguagem no centro da transformação digital. Um comunicado produzido com rapidez, mas escrito de forma difícil, continua sendo uma barreira para o cidadão. Por isso, o uso da tecnologia não foi tratado apenas como uma forma de automatizar tarefas, mas como uma oportunidade de tornar as informações públicas mais compreensíveis.
IA pode apoiar textos mais fáceis de entender
Na comunicação pública, a inteligência artificial pode ajudar a identificar trechos longos, reorganizar informações e sugerir versões mais diretas de um documento. Também pode transformar um conteúdo extenso em uma estrutura inicial para materiais educativos ou em uma minuta de mensagem destinada ao público interno e externo.
Esse tipo de apoio é especialmente relevante em textos jurídicos e administrativos, que costumam reunir conceitos técnicos, referências legais e instruções em uma mesma passagem. A simplificação pode facilitar a leitura, mas não significa retirar a precisão necessária nem modificar o sentido das normas. A versão final precisa continuar adequada ao contexto e ao público que receberá a informação.
Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a inteligência artificial deve funcionar como instrumento de apoio ao trabalho. A análise humana permanece necessária para conferir o resultado, corrigir erros e verificar se o texto produzido pela ferramenta está de acordo com a finalidade da comunicação.
Revisão humana continua essencial
Uma resposta aparentemente correta pode apresentar informações imprecisas, omitir detalhes ou adotar um tom inadequado. Em um comunicado oficial, esse tipo de falha pode gerar dúvidas, orientar o cidadão de maneira equivocada ou dificultar o acesso a um serviço. A revisão, portanto, não é apenas uma etapa formal: ela faz parte da responsabilidade de quem publica a mensagem.
O trabalho humano também é necessário para avaliar escolhas de linguagem. Uma ferramenta pode sugerir frases mais curtas, mas não conhece automaticamente todas as características do público, o contexto social da comunicação ou as consequências de determinada palavra. Cabe ao responsável pelo conteúdo decidir o que deve ser mantido, ajustado ou descartado.
Essa atenção é importante porque comunicação clara não se resume a substituir termos difíceis por palavras populares. É preciso organizar a informação, apresentar a orientação principal, evitar ambiguidades e explicar conceitos quando eles forem indispensáveis. A tecnologia pode acelerar esse processo, mas a clareza depende da revisão e da decisão editorial.
Dados pessoais e informações sigilosas exigem cuidado
O MGI também ressaltou que informações pessoais, sigilosas ou relacionadas a processos não devem ser inseridas de forma automática em ferramentas abertas de inteligência artificial. Antes de utilizar um sistema, é necessário avaliar seus termos de uso e os riscos associados ao tratamento daquele conteúdo.
O cuidado vale para documentos internos, dados de cidadãos, informações de processos e qualquer conteúdo que não deva circular publicamente. A busca por agilidade na redação de um e-mail ou resumo não pode se sobrepor à proteção das informações. Em ambientes institucionais, a escolha da ferramenta e a forma de uso precisam estar alinhadas às regras de segurança e responsabilidade aplicáveis.
A orientação também ajuda a separar duas funções diferentes. A inteligência artificial pode auxiliar na preparação de uma primeira versão, na organização de ideias ou na identificação de pontos que precisam de revisão. Já a decisão de publicar, compartilhar ou utilizar aquele conteúdo continua sob responsabilidade das pessoas e das instituições.
Comunicação digital entra nos planos do governo
O debate faz parte de um movimento mais amplo de incorporação da inteligência artificial às práticas de governo digital. Em outra publicação, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos informou que o uso da tecnologia seria incluído entre as inovações das novas recomendações da Estratégia Nacional de Governo Digital.
A relação entre esses dois movimentos está na tentativa de ampliar e simplificar o acesso aos serviços públicos digitais. Para que isso aconteça, não basta oferecer plataformas e processos eletrônicos. As instruções, os avisos e os documentos também precisam ser compreendidos por pessoas com diferentes níveis de familiaridade com a linguagem administrativa.
Ao aproximar inteligência artificial, integridade e linguagem acessível, o MGI sinaliza que a modernização da comunicação pública depende tanto da tecnologia quanto dos critérios usados para aplicá-la. Textos mais claros podem facilitar a relação entre governo e sociedade, desde que sejam produzidos com revisão, proteção de dados e responsabilidade humana.
