Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, como ex-presidente da OAS, pontua que a energia solar deixou de ser um acessório instalado depois que a fábrica já está de pé. Durante anos, o caminho típico da indústria brasileira era construir o galpão, operar por um tempo, sentir o peso da conta de luz e só então chamar um integrador para cobrir o telhado de painéis. Esse roteiro está mudando rápido, e a energia solar para indústrias passou a ser pensada ainda na prancheta, junto com a estrutura, a parte elétrica e a distribuição de cargas.
O que tornou o tema mais técnico foi a mudança nas regras. Desde o Marco Legal da Geração Distribuída, a Lei 14.300, o consumidor que injeta excedente na rede paga uma parcela crescente pelo uso da infraestrutura de distribuição, o chamado Fio B. Em 2026, essa cobrança chegou a 60% e seguirá subindo nos próximos anos.
O resultado é direto: dimensionar um sistema apenas pelo tamanho em kWp virou erro de projeto. Siga a leitura e veja que o retorno passou a depender de quanto a empresa consome da própria energia no exato momento em que ela é gerada.
Do retrofit ao projeto integrado
Integrar a geração solar desde a engenharia muda decisões que, feitas depois, custam caro ou se tornam inviáveis. A inclinação e a orientação da cobertura, a capacidade estrutural para suportar os módulos, o espaço para inversores e o traçado elétrico deixam de ser improvisos e passam a constar do projeto original. Um telhado pensado para receber painéis aproveita melhor a área disponível e reduz perdas que um retrofit dificilmente recupera depois de a obra estar concluída.
Como observa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, há também uma vantagem de cronograma e de custo de capital. Quando o sistema fotovoltaico entra no escopo da obra, a instalação acontece junto com a construção, sem paralisar a operação depois para reforçar estruturas ou abrir novas rotas de cabeamento. Para o setor industrial, em que cada parada de produção tem custo mensurável, integrar a energia na fase de engenharia é tão estratégico quanto a escolha do terreno ou o layout da linha de produção.
O que muda quando o sol entra na planta baixa?
A principal mudança é o foco no autoconsumo. Como o crédito por energia injetada vale cada vez menos, o projeto vencedor é aquele que casa a curva de geração com a curva de consumo da fábrica. Indústrias com operação predominantemente diurna, como linhas de produção, refrigeração e bombeamento, se beneficiam mais do regime atual, porque usam a energia no exato instante em que o painel a produz, sem depender da compensação na rede.

Esse alinhamento exige engenharia de verdade, e não apenas a venda de um kit padronizado. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim considera que é preciso analisar o perfil horário de consumo, simular cenários com e sem injeção e considerar a saturação da rede local, que em algumas regiões já barra novas conexões por inversão de fluxo.
O contrapeso da rede congestionada
Nem tudo é expansão sem atrito. O Brasil enfrenta um problema crescente de congestionamento na transmissão, e em 2025 o Operador Nacional do Sistema precisou cortar mais de 20% da energia solar e eólica que poderia ter sido gerada em episódios de sobreoferta. Esse fenômeno, chamado curtailment, pressiona projetos de grande porte e reforça, mais uma vez, a lógica do autoconsumo no ambiente industrial.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim mostra que é por isso que configurações como o Grid Zero, em que o sistema gera apenas o suficiente para o consumo interno sem exportar excedente, ganharam tração em regiões com rede saturada.
O futuro industrial passa pela autonomia energética
A integração da energia solar à engenharia industrial reflete uma mudança de mentalidade: a energia deixou de ser uma despesa a ser administrada e virou um ativo a ser projetado. À medida que a transição energética avança e a conta de luz se torna mais imprevisível, a indústria que nasce já preparada para gerar e armazenar a própria energia ganha previsibilidade de custo e independência diante de reajustes e oscilações de fornecimento.
Essa leitura coloca o tema no centro das decisões de quem projeta e executa plantas industriais, como a André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, dirigida por Elmar Juan Passos Varjão Bomfim. O fotovoltaico, que antes era acrescentado ao final da obra, agora começa na primeira linha do memorial de cálculo, e essa antecipação tende a separar os projetos que apenas economizam dos que se tornam, de fato, autossuficientes.
